Advento – Tempo Litúrgico

Neste domingo, a Igreja se reúne para repetir as palavras proclamadas no Evangelho segundo São Lucas: “Jesus, lembra-Te de mim quando entrares em Teu reino”. A cena da Paixão narrada no Evangelho é uma excelente representação da condição da humanidade e do seu destino: Jesus é um inocente crucificado junto a dois malfeitores. Um deles se deleita com o sofrimento do homem que partilha de seu destino; está determinado a morrer da maneira como viveu, em meio a insultos e à violência. O outro, porém, enxergou no Cristo sua salvação; reconheceu seu erro e recebeu de bom grado seu castigo, pois reconheceu que sofria a mesma pena de um inocente. O bom ladrão, conhecido na tradição católica como São Dimas, não pediu para ser poupado da cruz, mas que Jesus o amasse além da morte.

A solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, é uma celebração do amor reconciliador de Deus para conosco, no momento em que nós, representados pelos criminosos que ladeavam a Santa Cruz, nos encontramos mais fracos e necessitados de Seu perdão. Na Cruz, coroado por espinhos, Cristo triunfa sobre a morte e o pecado e recebe o domínio de todas as coisas, porque pagou o preço com Seu preciosíssimo sangue. Neste dia de festa, somos convidados a refletir sobre o papel que desejamos desempenhar em nossa vida: o do ladrão que insiste em seus erros, ou o do criminoso penitente que suplica a Jesus a honra de ser contado entre os eleitos.

Este domingo marca ainda o início da última semana do ano litúrgico, depois da qual se iniciará o tempo do Advento, que consiste nas quatro semanas anteriores ao Natal. A palavra advento é uma tradução da palavra grega parousia, que significa “vinda” ou “chegada”. A tradição cristã nos fala de três vindas do Cristo: Ele veio a este mundo na carne em Belém; vem diariamente em nossos corações; e virá novamente em Sua glória no fim dos tempos. O Advento é, portanto, um tempo de comemoração pela primeira vinda de Cristo e também de antecipação pela volta do Messias.

A liturgia deste tempo reflete muito claramente este duplo significado: as leituras dos dois primeiros domingos do Advento fazem reflexões sobre o fim dos tempos e o Reino dos céus; as dos dois últimos tratam da paz e do amor causados pela Natividade em Belém. Durante este tempo, a Igreja se veste de roxo, cor que simboliza a espera; no terceiro domingo, pode-se usar o róseo, cor da alegria. A exemplo do que acontece na Quaresma, o hino de louvor é omitido, sendo novamente cantado na noite de Natal; porém, porque o Advento é um tempo sobretudo de expectativa, o Aleluia é permitido.

Por fim, o tempo do Advento possui um caráter penitencial, incitando aos fiéis a busca pelos sacramentos da Penitência e da Eucaristia e diversas formas de piedade. O Evangelho do primeiro domingo adverte: “ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor”; assim, se os cristãos esperam a volta de seu Rei, precisam estar preparados para este tão sublime encontro.